Emersão de uma tecnocracia? Francisca Morgado Matos
Com a recente
pulverização de encontros entre políticos e técnicos especializados em áreas
especificas para determinar formas de atuação do próprio estado, acho relevante
refletir um pouco sobre a forma como cada vez mais as orientações de técnicos
estão entranhadas nas nossas vidas.
Um exemplo que toca
a todos e muito atual será a pandemia do Covid-19, ao longo deste ano já
assistimos a variadíssimos exemplos onde a atividade política acatou ou
consultou peritos da área epidemiológica para tomar as suas decisões, muitas
vezes sendo a vontade destes que acaba por vingar. Claro, que ao consultar
pessoas que dominam a área em questão é sempre uma vantagem tanto para as
decisões como na atuação da Administração que se torna mais eficaz e segura. Há
que considerar também que muitas vezes, a influencia destes técnicos pode ter
mais relevância que uma mera consulta, sendo que podem culminar na adoção da opinião
em verdadeiros critérios . A OMS emite várias recomendações que são acatadas
logo de imediato e não se vê ninguém a questionar o conteúdo destas, mesmo não
sendo vinculativas estas são acolhidas sem causarem qualquer dúvida ou
inquietação, a auctoritas que estes peritos emanam tornam-se critérios e de
certa forma direções que vão predominar na área administrativa de um Estado.
Para além, de ser positivo o facto de serem decisões políticas
e administrativas cada vez mais informadas, pode-se questionar se não existira
um esvaziamento da atividade democrática e discricionária a que os políticos e
a administração gozam para se assistir a um fenómeno de tecnocracia em que a
ciência e a especialização dominam sobre o quotidiano político.
Este fenómeno sociológico jurídico pode ser apelidado de “
captura dos reguladores pelos regulados”, pois grande parte das vezes estes
peritos são oriundos do setor privado e zelam pelos interesses deste mesmo
setor, e tem que se ter em conta que depois iram regressar de novo a esse
setor, sendo então do interesse destes privilegiar este mesmo setor. O fenómeno
de porta giratória pois estes reguladores são simultaneamente os alvos das
empresas que vão regular. Dai se considerar a emersão de uma administração independente.
Enquanto a Administração baseia-se em valores como seguir os interesses públicos.
Concluindo, a complexidade dos problemas que tem surgido
também levam que a administração tenha que ser cada vez mais competente e
reunir o máximo de informação para responder as diversas diversidades que com
que se vai cruzando. É importante ter em
conta que o fenómeno crescente da globalização, leva a que certas organizações
internacionais também compostas por técnicos tenham cada vez mais uma influência
e nas medidas de atuação em certos domínios. Sendo assim, a administração
também não pode estar apenas de olhos postos ao que se passa exclusivamente no
seu pais, mas também considerar e ver como e que os vizinhos atuam consoante os
mesmos problemas ( ver o que é eficaz ou não) , podendo também aperfeiçoar e
expandir as opções. Portanto, um mundo mais globalizado e cada vez mais técnico
é a realidade a que se caminha a grandes passos largos.
Francisca Matos nº64506
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