O Perigo da Tecnocracia - Pedro Alschinger Rezende
É perceptível nos dias de hoje a repulsa que a população tem sobre o poder político, cada vez mais há eleições com maiores porcentagens de abstenções ou também no sucesso de candidatos ditos “anti-sistema”, isso se dá em parte pelo histórico de corrupção e distanciamento da política dos cidadãos de um Estado. Logo, vemos o aparecimento e a delegação de poderes às agências especializadas, que são órgãos independentes da Administração pública, formados por grupo de alto nível técnico, que servem para regular partes da administração que essa não é considerada mais apta para administrar.
Essas agências especializadas tem sua origem no sistema administrativo estadunidense, a primeira agência autônoma foi a Interstate Commerce Comission, a qual passou a administrar as infraestruturas transfederais de comunicações, tanto de meios de transporte (linhas de trem) a comunicação (telefonia). Nos EUA atualmente encontramos diversas dessas agências no controle de muitos aspectos da vida da administração. Logo, há o início de uma tecnocracia, pois não são mais políticos eleitos pelo devido processo democrático a tomar as decisões, mas sim especialistas que chegam ao cargo por meio de concursos públicos.
Essa mudança foi positivamente recebida pela população, porque vê-se nos técnicos a confiança, inteligência e honestidade, as quais para a opinião público faltam aos políticos. Esse olhar de desconfiança com a política é uma construção histórica e como já dito tem seus motivos, todavia, somente na democracia podemos responsabilizar aqueles que não agem da forma que se comprometeram, pois, as urnas dirão se aquele político teve a aprovação popular ou não. Portanto, o que é objetivado com as agências especializadas é o distanciamento da vida política, isto ficou claro com as reuniões da Direção-Geral da Saúde, em que o próprio Governo remetia o poder de decisão a ela, sobre os limites aplicados na pandemia.
Em suma, devemos entender que apesar dos órgãos técnicos serem de fundamental importância para a tomada de decisão, essa decisão deve ser acompanhada do critério principal da democracia: a legitimidade popular. Sendo assim, concluiremos que as agências devem ser auxiliadoras, mas não retirar o local de decisão dos representantes do povo e para confiarmos mais nestes, devemos aproximar-nos da vida política, acompanhando suas escolhas políticas.
Pedro Alschinher Rezende - 63595
Turma B/Subturma 17
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